segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Universo fantasmagórico do consumo

por Gilberto Barbosa dos Santos

Muito se tem discutido sobre os rumos e os caminhos a serem percorridos para que a sociedade se transforme e a realidade de muitos deixe de ser fantasmagórica, todavia, vários dos argumentos passam pela esfera política e como o poder está constituído no mundo global de mercadorias.

Quais são as alterações possíveis e capazes de alterar o rumo das coisas? Não adianta achar que tudo será feito com um toque da “varinha de condão” das fadas encantadas que povoaram o mundo abstrato de muitas crianças mundo afora.

A questão é mais complexa, tendo em vista que os homens, a cada dia que passa, ficam mais encastelados em seus micro-mundos se divertindo com seus brinquedos eletrônicos, enquanto do lado de fora dessas masmorras, a sociedade se digladia em busca de um quantum de alimento para aplacar o ronco do estômago de milhares de famintos e desvalidos.

Para resolver essas questiúnculas que assolam a humanidade há algum tempo, muito papel, livros, teses e dissertações foram escritas, todavia, de pouca validade, tendo em vista que o ser humano continua acumulando, acumulando, enquanto outros jazem em seus leitos fétidos sem um mínimo de comida para aplacar a sanha estomacal.

Mas será proibido acumular? Será que tentar obter lucros das transações comerciais é crime? Responder essas duas interpelações não é fácil, em função da miríade de realidades existenciais espalhadas pelo orbe terrestre. Entretanto, é possível apontar caminhos, como por exemplo, o desenvolvimento de uma ética racional de solidariedade. Se os homens conduzem seus negócios para um determinado fim, qual seja auferir melhores dividendos, também é possível dar os primeiros passos em direção de uma sociedade melhor, sem ser necessário, abandonar a visão acumulativa, própria da sociedade capitalista.

A lógica do próprio sistema vigente hoje, não permite que muitos financistas vislumbrem essa realidade, pois, a visão está encoberta pelo mundo das mercadorias que, a cada dia, transforma os homens em produtos com capacidades de consumirem outras quinquilharias que devem ser descartadas na manhã seguinte.

A problemática ganha importância quando o ente se depara com uma situação complexa, já que ingressa em uma realidade disforme na medida em que diz a ele que somente existirá se participar do universo fantasmagórico do consumo e, a partir daí, é possível detectar duas realidades distintas: uma interna e outra externa.

A primeira nem sempre é muito clara para os participantes, pois estão dominados pela segunda visão: a externa, que pode ser observada do ponto de vista do “outro”: “como o meu semelhante está me enxergando?” “Preciso estar no pedestal para que ele possa me ver, do contrário, não existo”. Essa reflexão pode ser traduzida da seguinte forma: há uma aparência e uma essência em que a segunda é subsumida pela primeira.

A tarefa parece ser complexa para os homens acostumados a acordarem de manhã e vislumbrarem o dia como mais uma possibilidade de se ampliar o quinhão monetário e o saldo da conta bancária. Todavia, a questão é simples: não precisa abandonar essa visão, tendo em vista que muitas pessoas dependem desse profissional arrojado, mas não é necessário deixar de lado práticas ensinadas pelos pais: respeito ao próximo. Imanuel Kant em seu livro “Fundamentação para a metafísica dos costumes” afirmou que a conduta do homem deva ser tal qual possa ser universalizada, ou seja, não se pode exigir respeito se a prática não for uma constante na vida do proponente.

Por outro lado, há aqueles que acham que essa prática se aprende na escola. Parece-me um equivoco se pensar assim, pois as unidades educacionais devem ser vistas como locais instrutivos, em que os alunos recebam informações importantes para a vida futura. Agora, o meio em que se aprende a viver em sociedade deve ser o lar, primeira sociedade com a qual o homem trava suas primeiras relações sociais.

Gilberto Barbosa dos Santos, 39, sociólogo e professor da FASSP e do colégio ZETA.
gilbertobarsantos@bol.com.br

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3 comentários:

Burle Marx disse...

Viva o capitalismo! Viva a liberdade de consumo! Viva! Viva!

Anônimo disse...

Amontoado de palavras rebuscadas que dizem o quê?

Renato, Odara disse...

Boa reflexão, irmão