sábado, 21 de março de 2009

16ª sessão do Clube de Ideias: Ditabranda

Sábado é dia de Clube de Ideias:

Penápolis, 8 de março de 2009
Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.


A polêmica iniciada pelo Jornal Folha de S. Paulo sobre o regime militar no Brasil denominado de “ditabranda”, ganha novos contornos com o artigo do professor Marco Antonio Villa (Ditadura à brasileira - FSP 5/3/2009). Nada mais falso comparar o regime militar brasileiro com as ditaduras do cone sul , diz ele. Durante o regime militar houve tortura, perseguições, mas também houve avanços: novas universidades públicas, festival de música popular, etc. Villa acerta , diz o professor Machado, na sua abordagem histórica sobre aquilo que realmente aconteceu entre 1964 a 1985, sem perder a perspectiva do estado de exceção que se estabeleceu aqui depois do AI-5. É bom esse debate para acabar com a utilização política do período por aqueles que nada fizeram durante o regime militar e agora querem ser transformados em heróis apostando na ausência de memória histórica, afirma o professor Figueiredo.

O leitor da 12ª sessão , senhor Zebra , reafirma a importância do Fórum social mundial porque traz personagens para os debates ou palestras como David Harvey, o que justifica a existência desses eventos. Também apreciamos Harvey, principalmente o professor Vladimir que vibra quando Harvey diz: “Quando eu olho para a história, vejo que as cidades foram
regidas pelo capital, mais que pelas pessoas”. Outra questão levantada pelo leitor é a questão do bem e do mal. Não acreditamos em consciência do bem ou forças do mal. Já algum tempo (cerca de 40 anos) abandonamos a dicotomia judaico-cristã do bem e do mal.


Ariadne voltou a nos visitar para executar uma bela dança do ventre e reforçar a bandeira do nudismo como lazer. Não o lazer do consumo, dos finais de semana nos shoppings, ou o obrigatório das baladas, ou da embriagues do final de semana. Essas são construções do mundo capitalista, que combatemos a exemplo do combate que o marxista Harvey faz.


O ócio foi esquecido, exclama o professor Veloso. No passado era o caminho que nos levava a contemplação e na Idade Média a Igreja o transformou no caminho que nos leva a deus, afirma Machado. Ariadne nos revela que o ideal do lazer deve estar livre das obrigações. Não podemos ter lazer estabelecido pela sociedade de 48 horas semanais, diz ela. Essa é uma farsa. Daí a defesa do nudismo que ainda não foi completamente controlado pela sociedade de consumo e tem um significado simbólico porque você não ostenta as roupas, adereços do consumo e despreza também o culto do corpo academia, porque a praça do nudismo é de todos.


Outro aspecto é o desejo sexual, afirma o professor Veloso, uma presença constante para os nudistas, pois o movimento pretende trabalhar todos os aspectos da desrepressão.



Mas sob o ponto de vista epicurista, lembra o professor Teixeira o comportamento do nudista deve ser saber lidar como o próprio corpo para não se escravo dos desejos dos outros ou desejos criados. Dessa forma tiro a roupa, mas não sou não devo ser condicionada pelo desejo do outro, alerta Ariadne. Nesse campo se estabelece a ética nudista, completa Teixeira.


Nietzsche disse certa vez que a tragédia grega é a transformação apolínea de ritos dionisíacos o que nos leva a receber com alegria Ariadne e as ninfas para realizarmos o caminho contrário da tragédia.

2 comentários:

elisafranca disse...

Nudismo como lazer. Tá aí. Um movimento para não só se despir da roupa, mas de todas as preocupações com trabalhos e horários. Nunca fui de baladas e passeios no shopping. Gosto de não fazer nada.

Bacana o texto. Um viva ao ócio!

Renato, Odara disse...

Sabes que sempre apoiei a ideia, né, Jadão?