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terça-feira, 2 de junho de 2009

Luar do Sertão - Jáder Rocha

Jáder avisa: "Tirei da varanda de casa"

-Quer ler os textos do Clube de Ideias de Penápolis? Clique aqui!

"Oh que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branquejando, folhas secas pelo chão
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade, do luar lá do sertão!
Se a lua nasce por detras da verde mata
Mais parece um sol de prata, prateando a solidão
E a gente pega na viola e ponteia
E a canção e a lua cheia, a nascer no coração

Não há, ó gente, oh! Não, luar como esse do sertão

Quando vermelha no sertão desponta a lua
Dentro da alma flutua, tambem rubra nasce a dor
E a lua sobe e o sangue muda em claridade
E a nossa dor muda em saudade
Branca assim da mesma cor

Música de Catulo da Paixão Cearense / João Pernambuco"

Jáder Rocha é professor há milênios e não se conforma com os rumos que a educação tomou no Brasil. Fundou seu imaginário Clube de Ideias na pequena cidade de Penápolis, onde discutia política, filosofia e educação. Anda em falta com os textos, mas nos manda este retrato do luar do sertão.

=>Mande você também suas fotos e textos para clube.ideias@gmail.com

domingo, 17 de maio de 2009

Sem ideias: 21ª sessão do Clube de Ideias

Penápolis, 17 de maio de 2009.

Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.


Sem “idéias”, os membros desse clube copiando Saramago, que lembrando de Cícero diz: “Até quando, ó Berlusconi, abusarás da nossa paciência?”

Por extensão afirmamos : Até quando, ó Congresso Nacional, Violência Urbana, etc, abusáras da nossa paciencia ?”

Os membros do clube resolveram contemplar e não falar .


Jáder Marcos Paes Correto da Rocha

=>Nós queremos suas ideia, mané! Manda pra gente em clube.ideias@gmail.com

domingo, 3 de maio de 2009

Ética e Totalitarismo: 20ª sessão do Clube de Ideias

Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.


Após um grande intervalo voltamos a nos encontrar, perturbados pelo encerramento do bimestre escolar.

O professor Veloso afirma que é uma inutilidade a aplicação de provas, exames, porque os resultados são desanimadores. Já o professor Figueiredo não vê outra forma de realmente constatar se o aluno domina conceitos, a língua e etc. Formas alternativas de avaliação são aplicadas, constata o professor Vladimir, porém o que se avalia é o domínio de outras competências e habilidades, que a tradicional prova não o faz. Ocorre que, a verdade, sobre se você domina ou não conceitos, linguagens elaboradas, se faz ali no preto no branco da prova, afirma Figueiredo

Todos os dias constatamos a formação de um estado eminentemente autoritário ou de uma sociedade autoritária, afirma Machado, mudando o rumo da conversa.

A sociedade clama por leis de Talião, por restrições a liberdade individual, como forma de solução para problemas do cotidiano. Isso ocorre no trânsito, em relação a fumar, as passagens dos congressistas. Mas estes mecanismos salvaguardam os interesses da população, interfere Vladimir.

Veja, diz Machado, as leis de trânsito devem existir é claro, mas o comportamento no trânsito não deve funcionar porque a lei quer, mas porque o cidadão é consciente, dessa forma ele não precisa de uma lei que determine que ele não deva dirigir porque bebeu, porque ele tem a consciência de que exageros com o álcool levam a acidentes no trânsito. Ou ainda, o congresso, o deputado por uma questão de ética não deveria fazer mal uso de certos mecanismos que facilitam a atividade parlamentar (passagens aéreas). Não seria necessário criar uma lei para isso. A ética definiria tal atitude.

Mas não vivemos num mundo ético, caro Machado, diz Figueiredo, daí a necessidade da lei, que e deve ser implacável, dura lex, sed lex.

Mas este é o ponto, diz Machado. Abrimos o campo para nos submetermos à lei, ao estado, e perdemos a autonomia. Logo as pessoas vão se dar conta que as leis não dão conta e que é preciso mais. O parlamento não da conta, precisamos mais. Do que precisamos? Do totalitarismo.



De fato o Vladimir tem razão, afirma o professor Teixeira. Os sintomas estão ai presentes, a ausência de memória, a ameaça de novos genocídios, a falta de autonomia dos educadores, a submissão a líderes políticos carismáticos, lideranças religiosas fundamentalistas, enfim é um quadro preocupante.
Preocupante, mas o nosso jardim epicurista resiste.

domingo, 12 de abril de 2009

"Viva Zapata", Elia Kazan: 19ª Sessão do Clube de Ideias

-Leia análise do filme "O Leopardo"

Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.

Viva Zapata!

Mais uma vez nos debruçamos sobre o México apreciando um belo charuto Montecristo. A revolução mexicana de 1910 foi objeto da nossa discussão, após assistirmos ao filme “Viva Zapata!” de Elia Kazan de 1952, com roteiro de John Steinbeck.



Marlon Brando transformado em mexicano é o protagonista. O filme conta também com a bela atuação de Anthony Quinn, como general e irmão de Zapata (Brando). O professor Teixeira lembra que o filme é quase didático na abordagem da Revolução mexicana, mas não deixa de ser a visão de “Holiude”.

O professor Machado lembra que Glauber Rocha escreveu em “O século do cinema” (pg. 50 51), que “Kazan,..., conseguiu transmitir, influenciado por Que Viva México, de Eisenstein, a paisagem mexicana com grande plasticidade. Mesmo negando o valor da revolução quando pretende provar que os chefes se corrompem quando atingem o poder, pôde, sob o ponto de vista cinematográfico, ser mais objetivo, mesmo intencional, mais vivo.”

O filme apresenta um ponto nebuloso sob o ponto de vista histórico quando Zapata aparece como dirigente político burocrata derrubando o general Huerta se transformando em presidente do México. Tal situação não aconteceu alerta o professor Figueiredo.

Fomos reconstituindo alguns episódios da história da Revolução mexicana admirando a bela fotografia do filme de Kazan.

Dessa forma, o processo revolucionário deve ser compreendido a partir da queda de Porfírio Díaz que ficou no poder durante um grande tempo (1877 a 1911), modernizando o país: avanços no campo da ciência, industrialização, livre comércio. Mas seu governo estava associado à Igreja Católica, aos grandes proprietários e especuladores. É a fase de grande concentração de terras, e a situação dos trabalhadores no campo é dramática. Ocorre também grande dependência do capital norte-americano.

Amplo descontentamento popular devido à corrupta classe dominante e seus associados no clero e governo provoca a eclosão de revoltas no campo e cidades (operários organizados em sindicatos anarquistas). É a Revolução de 1910, que contou com a participação ativa da mulher (a soldadera).

Elites políticas sob o comando de Francisco Madero (que não é tão débil como o filme procura demonstrar), tentam impedir o continuísmo político, através de um levante armado, que se transforma em revolta social, devido ao levante de camponeses liderados por Pancho Villa e Emiliano Zapata.

A figura de Zapata não é a de um simples índio analfabeto, que se transformou em liderança, como o filme acaba induzindo, mas era um homem politizado assessorado por anarquistas. No filme a figura de Fernando Aguirre (Joseph Wiseman) emissário de Madero, está mais para representante do comintern, que afirma que a máquina de escrever é a espada da mente e tece a seguinte consideração sobre os revolucionários zapatistas: isso tudo é muito desorganizado.

Em 1911 Madero vence eleições e vira presidente. Sob pressão de Zapata é elaborado o Plano Ayala onde é lançada à luta contra o governo de Madero e apresenta as reivindicações camponesas: reforma agrária no sul através de sistema coletivo de ocupação da terra com a participação do povo nas decisões (eleição de tribunais, etc.). Sob o lema “Terra e Liberdade” ocupa a Cidade do México por três vezes entre 1914 e 1915.

Em 1913 ocorre um golpe contra Madero, que foi fuzilado com o vice-presidente. Assume o general Huerta que ameaça os opositores.

Em 1914 encontro entre Zapata e Villa (no filme Allan Reed) em Xochimilco, levando a invasão da cidade do México. Em janeiro de 1915 a cidade do México é governada pelos representantes da Convenção, mas expulsos da cidade pelo general Obregón.

No estado de Morelos Zapata aplica a reforma agrária, redistribuindo as terras às aldeias indígenas e defende as fronteiras do estado até maio de 1916.

Os generais Victoriano Huerta e Venustiano Carranza, chegam ao poder e fracassaram na realização da reforma agrária.

No governo de Carranza é promulgada a nova constituição (1917), onde se estabelece a reforma agrária; protege os operários; garante o controle do Estado sobre o subsolo. Mas as reformas destroem o espírito revolucionário.

O filme omite a intervenção freqüente dos Estados Unidos no processo revolucionário, chegando a ocupar algumas regiões do México, como Vera Cruz para garantir seus interesses e deter o carro revolucionário.

Era preciso derrotar Zapata não só no campo militar, mas destruí-lo. Para isso entra em cena o Coronel Jesus Guajardo, enviado por Carranza, para eliminar Zapata através de um ardil fingindo estar passando para o lado de Zapata. O ardil leva a execução de Zapata em 1919.

Mas o espírito de luta prossegue, pois os camponeses no filme não acreditam na morte de Zapata, simbolizado pelo seu cavalo, livre que segue em direção às montanhas, embrião da resistência atual dos zapatistas do subcomandante Marcos.

Para encerrar ficamos contentes com a leitora da 16ª Sessão do Clube de Idéias, a Sra. Elisa Franca como mais uma entusiasta do tirar a roupa e descobrir o ócio.

Jáder Marcos Paes Correto da Rocha

=>Envie seus textos para clube.ideias@gmail.com

Assista ao trailer de "Viva Zapata"

domingo, 5 de abril de 2009

Imposto de renda - 18ª sessão do Clube de Idéias

Penápolis, 22 de março de 2009.

Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.
“A sociedade é hoje o produto das ações dos indivíduos de ontem, assim o amanhã será espelho de nossas ações de hoje”.

Receita Federal uma história de cidadania

Mergulhamos na declaração do imposto de renda e não nos sentimos mais cidadãos, principalmente porque poucos dos associados irão restituir imposto. A nossa sina vai ser pagar, em suaves prestações (até oito) o imposto devido, apesar da nossa pequena renda.

O professor Figueiredo, que restitui imposto, concorda com o pensamento da Receita e vê como inevitável o seu pagamento, senão o país não funciona.

Você está parcialmente certo diz Vladimir, principalmente se os impostos fossem revertidos para ações sociais eficientes e não como cacife político para negociações entre o estado e a classe política. Sem contar que é obrigação constitucional do governo a prática da assistência social.

Neste aspecto veja a Suíça, diz o professor Machado. Se alguém é demitido recebe 80% do seu salário por 11 meses. Se não consegue arrumar emprego depois dos 11 meses, o estado garante o aluguel e paga o atendimento de saúde. E mais, ele passa a receber US$ 1 mil dólares por mês e uma bolsa para alimentação. Isso que é história de cidadania.

Atarantado com a declaração e com o valor que terá que pagar de imposto, por causa dos seus quatro empregos, o professor Veloso entra em transe passando a ter delírios glauberianos: Cortar cabeças num estado sem cabeças. Apontar fuzis. O prazer do poder, a solidão do poder. O Clamor do povo. Morte ao usurpador. Curar e depois morrer.

Enviamos as declarações de imposto e frustrados sentamos em silêncio. Abrimos uma garrafa de Serra Malte, acendemos um Jewels black gold e aguardamos o fim do dia.



Jáder Marcos Paes Correto da Rocha

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domingo, 29 de março de 2009

17ª sessão do Clube de Ideias: Uma nova escola?

Penápolis, 15 de março de 2009.

Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.


Novamente retomamos alguns aspectos da educação, pois afinal essa tem sido a realidade profissional de quase todos os associados deste clube.

O professor Vladimir afirma que as pessoas se iludem com a propaganda do governo sobre as grandes mudanças na educação ou ainda, acreditam que medidas de auto-ajuda vão resolver os problemas. Como dizia Marx tem que partir da realidade concreta, das condições materiais, para perceber o que esta acontecendo.

Na escola pública em que atuo, diz o professor Teixeira, posso enumerar dois casos concretos das dezenas que ocorrem todas as semanas. Fato concreto 1: aluno com passagem pela polícia, inclusive agressão contra um policial desacatou a todos na escola e ainda agrediu o diretor da escola com uma lata de lixo. Apesar de ser criminoso, a justiça determinou a sua matrícula no começo do ano. Agora o conselho de escola vai transferi-lo, porque a expulsão não pode ser aplicada. Fato concreto 2: aluno da mesma escola , com perturbação sexual , assedia alunas no recreio , na sala de aula , nos corredores , etc. Os pais são chamados , ignoram o problema , porque são causadores do problema : assediam sexualmente o filho.

Figueiredo afirma que intervenções de grupos, Ongs, em projetos educacionais, estão em sua imensa maioria desconectada da realidade escolar, principalmente aqueles grupos que acreditam em reformas através da boa vontade, da solidariedade, da participação efetiva da sociedade na solução dos problemas educacionais.

Veloso afirma que participar ajuda, corresponde as conquistas democráticas da sociedade, mas não resolve questões estruturais como salários, formação de professores, disciplina, trato de alunos deficientes, freqüência de marginais nas salas de aula.

Jung, em “O Desenvolvimento da Personalidade” supera o materialismo do século XIX para repensar a educação no início do século XX, afirma o professor Machado. Um aspecto importante para lembrar sobre o comportamento das crianças nas escolas é entender que os pais são quase sempre os responsáveis pelas neuroses das crianças ( pg. 75) . A criança que sofre de algum desvio comportamental na escola, pode ser encaminhada pela direção da escola para tratamento médico ou para o conselho tutelar, mas a fonte da perturbação não é tratada: os pais. Chega de louvar a “santa maternidade” que desprovida de responsabilidade gera “monstros humanos” (pg. 178), conclui Machado inspirado em Jung.


Mas Jung lembra também como deve proceder o educador, que deve ter clareza sobre os seus pontos de vista e sobre suas falhas . Ser exatamente o que você é, sem iludir a criança, o educando. Esse é um ponto importante esquecido pelos educadores. “O educador deve ter em mente que pouco adianta falar e dar ordens; o importante é o exemplo” (pg. 137). “Ninguém pode educar para a personalidade se não tiver personalidade” (pg. 177).

Machado lembra de outro aspecto importante levantado por Jung. As crianças inúmeras vezes não devem receber educação coletiva, igual, se apresentam alguma deficiência, ou resistência à educação coletiva. Devem ser criadas classes diferenciadas não para excluir, mas para atender melhor as crianças, desenvolver suas potencialidades. O que não significa que toda a criança tenha potencial para ser, ou vontade para ser, pesquisador, livre docente, bacharel, etc. Não queremos decoradores de matemática, ou de palavras, a escola precisa atender a todas as necessidades humanas desenvolvendo talentos em diferentes áreas.

Claro que não defendemos o fim da escola formal, acadêmica, mas existe a necessidade de se criar escolas novas para atender todas as necessidades. Essas reflexões não estão na pauta dos dirigentes políticos e educacionais, nem tampouco nas Ongs. O que eles querem é uma escola única. Todos seguindo a mesma cartilha, amontoados. Afinal os custos...

Jáder Marcos Paes Correto da Rocha

sábado, 14 de março de 2009

Saudades de Paulo Francis: 15ª sessão do Clube de Idéias

Sábado é dia de Clube de Ideias

Penápolis, 1 de março de 2009

Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.

Relemos o livro “O afeto que se encerra” de Paulo Francis (edição da Civilização brasileira, 1980). Foi o saudosismo dos associados que levou a releitura e também para reverenciar um estilo jornalístico que se perdeu, apesar dos imitadores pós modernos.

O professor Machado diz que o livro não é uma autobiografia, mas um livro de memórias, como Francis afirma logo no início do livro, procurando definir inclusive o significado da escrita na pg. 14. Dai o ecletismo, a variedade dos assuntos por ele tratados, o que era uma marca também nos seus artigos que começava a falar do governo brasileiro, passava por Dostoievski e terminava em Manhattan.
Perfeita percepção, diz Vladimir, quando Francis define os métodos da SS e da Cheka soviética como fruto dos métodos da Cia. de Jesus (pg. 46).

São interessantes as críticas sobre a esquerda brasileira, comenta o professor Figueiredo, que meteu os pés pelas mãos quando nos anos 60 diluiu, com o apoio do populismo de Jango, a luta sindical, que não pode dessa forma reagir ao golpe de 64 (pg. 61). Feliz análise de Francis sobre a loucura da posse de Jango, o seu vacilo político e o reacionarismo da classe média que temia o discurso da esquerda de “virar a mesa”.

Teixeira, citando Francis diz, temiam “... perder tudo, de empregados tomarem as jóias da patroa, ou que o morro descesse , apavorados pela propaganda hábil que a direita fez da propaganda inábil da esquerda. Essa é a síntese sociológica do golpe de 1964.” (pg. 61.). Assim, nos tornamos uma ditadura, para regozijo da classe dominante e como sempre o “fator humano, é o supérfluo, o sacrificável” (pg. 69).

O professor Veloso considera Francis um bom jornalista, mas um romancista frustrado. Na verdade Francis se considerava comentarista. De qualquer forma, diz Veloso, Francis percebeu que no futuro (hoje) o caos se estabeleceria devido ao desgoverno e a concentração de renda afirmando: “Um dia as cidades cairão definitivamente e uma nova era de trevas se abaterá na cabeça de todos, menos dos responsáveis, que fugirão de Concorde a Paris ou Londres, baldeação da Suíça” (pg. 70).

É curioso ver a posição avessa ao nacionalismo e a defesa da fraternidade universal (pg. 71) por um homem que insistia nos seus artigos (como por exemplo, “41 anos de solidão”, Folha de S. Paulo, 9/7/1987), de estar só, de querer ficar só. “Preciso de uma certa solidão ocasional” (pg. 146) . “Me consideram um caso perdido, um pequeno burguês que tornou às origens, se acreditando o centro do mundo” (pg. 147) . “A vida não começa aos 40. Começa a terminar, se tivermos sorte de resistir tanto”(pg. 132) . Dá impressão de que Francis era um ermitão mal humorado, perfil que se completou com a sua participação na TV (jornal da Globo e Manhattan Connection na GNT). Mas Francis era amável e hospitaleiro.

O professor Machado avalia que ele transitava muito bem pela obra de Marx, desafiando os intelectuais e a academia. Essa sua habilidade na leitura começou cedo, aos 14 anos, lendo em média 6 horas por dia.

Dessa forma é acertada análise que ele faz na pg. 170 partindo de uma reflexão de Marx sobre o capitalismo que retrata a atual crise global: “Marx me parece ter previsto o fim do capitalismo. (...). O avanço tecnológico que abate custos e aumenta lucros levará à miséria a imensa maioria da humanidade. (...) O monstro do capitalismo, que se alimenta de sangue, morre de anemia, dos próprios excessos”.

Encerramos a sessão com Francis: “Só se desilude quem se iludiu” pg. 171.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ariadne, a velha hippie - 14ª sessão do Clube de Ideias

Penápolis, 22 de fevereiro de 2009.

Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.



Quando iniciávamos mais uma reunião sob a fresca sombra da velha pitangueira eis que recebemos visita inesperada de Ariadne, a velha hippie.

Chegou citando Foucault: “A lua, cuja influência sobre a loucura foi admitida durante séculos, é o mais aquático dos astros. O parentesco da loucura com o sol e o fogo surgiu bem mais tarde.”. Continuou falando tresloucadamente citando também, Marcuse, Lacan.

Observa Machado que Ariadne deve ter chegado navegando numa verdadeira Stultifera Navis porque o seu discurso corresponde ao do navegante de águas transtornadas.

Insiste a ilustre e bela visitante em discutir o antagonismo Apolo Baco. Prega o culto a Baco e começa a arrancar a roupa, para o deleite destes não tão sóbrios professores.

O professor Veloso, decide acompanhar o gesto da velha hippie e também arranca a roupa iniciando com Ariadne uma dança que reproduz os gestos das festas dionisíacas.

Figueiredo observa um pouco mais afastado o ritual, considerando-o fora do contexto de nossas reuniões.

Ariadne prega que busquemos a nossa energia, a alegria, o corpo, ... a loucura.

Machado sendo complementado pelo professor Teixeira, contesta a “loucura” proposta por Ariadne, usando a mesma leitura dela: Foucault. “Mas se o saber é tão importante na loucura, não é que esta possa conter os segredos daquele; ela é, pelo contrário, o castigo de uma ciência desregrada e inútil.”

Cuidado companheiros! Diz Vladimir: estamos a um passo de reconhecer que aquilo que fazemos aqui não é válido, é falso, enfim de jardim epicurista, nos transformamos em jardim sofista. E mais, citando também Foucault, “Se a loucura é a verdade do conhecimento, é porque este é insignificante, e em lugar de dirigir-se ao grande livro da experiência, perde-se na poeira dos livros e nas discussões ociosas; a ciência acaba por desaguar na loucura pelo próprio excesso das falsas ciências.”

Não temos a pretensão de organizar um jardim acadêmico. Somos simples cidadãos que precisam desse refúgio para falar sobre as nossas visões e reflexões sem compromisso.

Ariadne, no esplendor da nudez, sem rubor, nos convida para um mergulho na piscina. Um batismo de voluptuosidade! Afirma ela. Veloso mergulha, todos mergulham inclusive o reticente Figueiredo.

Apolo descobre Baco e a Stultifera Navis traz belas velhas hippies para completar o ritual iniciado por Ariadne. Afrodite, Ártemis, Antonieta, Safo e Ceres, mergulham na piscina e juntos assistimos ao por do sol.