Mostrando postagens com marcador espírito santo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espírito santo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O que te inspira - Karol Felicio

-Leia mais poesia de autores novos aqui

Ilustração do caderno de Croquis Pagu - 1924


Eu não sei colocar preços nas coisas. Um João me ofereceu “um trabalho independente de poesias com desenhos em nanquim a uma quantia voluntária” eu quis, mas não comprei, eu não gostaria de por um preço no João.

Também não sei o quanto vale o meu sossego. Mas sei que vale muito. Eu pago caro por você. Você é o escambo que fiz pelo meu sossego.

[No que você pensa enquanto eu penso nele? Normalmente você faz silêncio...]

Eu não tenho tido tempo de pensar. Preciso silenciar, deixar o corpo calar, e parir palavras que derramem no papel.

Hoje eu vi tantas coisas belas, rosas de tantas cores, laranjas amarelas, como nunca as tinha visto. Fluorescentes. Florescendo.

Também tinha um velhinho corcunda, sentado sob o busto de um senhor esguio, na escada. Seria D. Pedro? Ele usava óculos engraçados.

O que te inspira?

Karol Felicio é mulher e sabe o que quer. Filha de Pagu, jornalirista made in Espírito Santo gosta que devorem suas poesias(indigestas ou não) aqui ou em seu blog. Com garfo e faca ou com as mãos.

=>Envie seus textos para clube.ideias@gmail.com

=>Mais poesias da Karol aqui

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Indigesto - Karol Felicio

Pobre da poesia que nasce na morte do amor
E daquela música que sorria
e agora toca e dói
Aquela foto que rasga e sangra
e aquela cama que chora e chora

Pobre do poeta que se alegra com a arte que faz
do estrago do seu próprio amor
Pobre do leitor, que admira a dor, mastiga as vísceras do poeta,
essa tristeza indigesta, engole num copo d’água,
fecha a tela, vira a página, sai, e nem olha para traz

Pobre dessa gente, por toda parte, que se ressente
A garota que dobrou a esquina, o moço que fechou a porta e afrouxou o nó da gravata,
Aquela senhora que passa, aquele menino que cala
Se quiser alegria dirija-se ao guichê ao lado
E tudo isso é matéria prima, vai dar à luz a algumas linhas, que, por hora, nem da gaveta saem
A gente produz muito lixo, anda descalço no esgoto
A gente faz amor com a peste, para nascer algo que preste
E às vezes a gente joga pérolas aos porcos
A gente escreve
E espera que alguém goste, ou que alguém deteste
Mas espera que alguém leia.

Karol Felicio é mulher, filha de Pagu, jornalirista made in Espírito Santo, e gosta que devorem suas poesias(indigestas ou não) aqui ou em seu blog. Com garfo e faca ou com as mãos.