-Mais poesias
Uma parceria e homenagem com Marina Di Giacomo
Minha irmã pensa que
É um risco abstrato
Numa natureza morta
Num dia em que chovem
Lírios e metais pesados
Acho esse pensamento equivocado
Nossa família parece toda
Uma natureza coloridamente abstrata
Rodeada de uma sociedade morta
Que ignora
Mas lá fora
A Esperança chove
E seria bom que a gente
Se deixa-se banhar um pouco
E ser - então
borrão
-Drogas
Frico já foi punk, anarquista, jornalista, baixista, poeteiro, ator, filho, namorado, corno, cafajeste, culpado e inocente. Mas nunca deixou de escrever e sonhar. Tudo isso no blog Punk Brega
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Minhas Férias - Ana Alice
Da série "Auto-retratos" do Clube de Ideias
Sou feita de leões e demônios que só se acalmam ao som de tambor. Adoro chocolate e molho de pimenta, cada um ao seu tempo. E acho que água e tequila são fundamentais para o bem-estar de uma alma na Terra. Escrever é pra mim hábito, pensar é exercício e conhecer-se uma jornada eterna, interminável e necessária para que o dia seguinte venha. Tenho uma série de famílias espalhadas pelo mundo e aprendi a fazer de cada nova cidade minha casa, mas descobri em São Paulo meu lar. Adoro andar pela boemia da Augusta mas me faz falta uma casa com árvore e cachorro. E não acho impossível conseguir tudo junto. Puxei da minha mãe a arte de fazer tudo de um jeito diferente. E do meu pai, a fé de que sempre há um jeito de fazer. Descobri na música a capacidade de me comunicar de um jeito que o jornalismo, minha profissão de sangue, nunca me deixou fazer. E descobri no jornalismo a possibilidade de falar de música de um jeito que minha habilidade como baterista nunca me permitiu. E a vida, pra mim, é fazer o coração bater sincopado, não importa o tom.
Sou feita de leões e demônios que só se acalmam ao som de tambor. Adoro chocolate e molho de pimenta, cada um ao seu tempo. E acho que água e tequila são fundamentais para o bem-estar de uma alma na Terra. Escrever é pra mim hábito, pensar é exercício e conhecer-se uma jornada eterna, interminável e necessária para que o dia seguinte venha. Tenho uma série de famílias espalhadas pelo mundo e aprendi a fazer de cada nova cidade minha casa, mas descobri em São Paulo meu lar. Adoro andar pela boemia da Augusta mas me faz falta uma casa com árvore e cachorro. E não acho impossível conseguir tudo junto. Puxei da minha mãe a arte de fazer tudo de um jeito diferente. E do meu pai, a fé de que sempre há um jeito de fazer. Descobri na música a capacidade de me comunicar de um jeito que o jornalismo, minha profissão de sangue, nunca me deixou fazer. E descobri no jornalismo a possibilidade de falar de música de um jeito que minha habilidade como baterista nunca me permitiu. E a vida, pra mim, é fazer o coração bater sincopado, não importa o tom.
Ana Alice Gallo nasceu em Ribeirão Preto, vive em São Paulo e é canhota, além de escrever poeminhas bacanas, é baterista e jornalista. Evita o estresse com doses de zen drugs e toca nas bandas Milhouse e Liga das Senhoras Católicas. Leia mais textos dela no brog Credencial Tosca.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Seus cabelos vão ficando brancos - Frico
Da série "Auto-Retratos" do Clube de Ideias:
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Nasci numa época de esperança, ano das Diretas Já, ano do caos de George Orwell
Ditadura militar desmoronava como o muro
Às vezes queria voltar pro útero, que parecia ser meu verdadeiro lar
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Migrei para o interior, onde rolei na relva verde e me acostumei com o luar estrelado do
Meu pai lia muito todos aqueles nomes esquisitos como Freud, Nietzsche, Marx e Henry Miller
Não sabia se Eça de Queirós era homem ou mulher. Que pessoa é Eça?
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Meu pai lutava judô e minha mãe pintava quadros psicodélicos
Ela era bonita e nos colocava para desenhar ao som de Pink Floyd
Eu achava Andoniran Baborsa engraçado e ainda acho, eu tinha um cachorro vira-latas e
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
O anarquismo vinha depois do comunismo, que vinha depois do socialismo, que vinha
A copa de 1994 é nossa, o Brasil é tetra e eu sou muito perna de pau.
Sempre fui o último a ser escolhido na Educação Física.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Estudei em escola pública dos 5 até os 9 anos
Odiei a escola de freiras onde meus pais davam aula.
Eu era bolsista, ateu e não sabia jogar bola. Era estranho e diferente.
Meus pais eram estranhos e diferentes e ninguém no interior entendia a gente.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Eu passei recreios inteiros sozinho lendo Gulliver
Eu esperava a entrada para aula, sozinho, lendo Graciliano Ramos
Eu me divertia sozinho lendo gibis do X-Men.
E eu só tinha 10 anos.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Mutações em minha carne: estiquei, emagreci, desafinei. Pelos desabrocharam
Tudo antes dos outros.
Uma menina disse que meus olhos eram bonitos. Mas só os olhos.
O irmão da Sabrina Sato disse que eu tinha cara de rato.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Me apaixonei pela primeira vez com 13 anos. De verdade. Pela menina que todo mundo se
Eu gostava das bundas. Bastante.
Escrevi poesias pra ela.
Versos de amor não eram meu forte...
Escrevia porque a vida me angustiava e, se fosse feliz, não escrevia mais nada.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pilhas poeirentas de quadrinhos de super-heróis, RPG e... A INTERNET.
Tinha mulheres com bundas grandes lá e elas gostavam das minhas poesias.
Me apaixonei pelo rock 'n' roll em 1996. Perdidamente.
Criei um fanzine em 1997 com um amigo e meu irmão.
Em 1998, comecei a tocar violão.
****
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Minhas calças se rasgaram, os fios de cabelo se espetaram e um brinco se alojou em minha
As pessoas tinham medo de mim, e eu gostava. Fiz outro furo na orelha e comprei um bracelete.
Toquei em palcos imundos dos subúrbios, em praças e em centros culturais.
Pulei, gritei e tive convulsões públicas para animar platéias de meia dúzia de pessoas.
Tive bandas, zines, programas na rádio e meu primeiro romance. Durou 3 meses.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Aos poucos entendendo as mulheres.
Adeus mãe gigante, grande, acolhedora, tribal, arquetípica, freudiana.
***
Crescer dói. Descobri que morava na periferia. Um amigo me disse.
"FrIco G mora num lugar perigoso".
Tinha pessoas pedalando de volta para casa às 18h, velhos conversando na calçada
Um vizinho era lixeiro, mas depois foi preso. Polícia passa. Boca de fumo do bairro. Mas nunca
Um cara da classe mata alguém. Outro internado em uma rehab. Menino assalta venda
Queria um lar que não fosse mais um útero.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pais rígidos. Castigo.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Assisti a queda das Torres Gêmeas na escola e as pessoas comemoraram.
Minha tia americana ligou chorando pra minha mãe.
Me arrependi
Senti o grande império WASP ruindo. Como um rato que rói a roupa do rei de Roma.
***
E, pesando 59 kg, eis o primeiro lugar em uma faculdade pública de jornalismo.
Comecei a beber. Comecei a viver.
Aos 18 anos, vida ganhava cores e cheiros.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Voei até os EUA e freqüentei convenções anarquistas e shows de hardcore.
Tive medo de avião. Tive medo de morrer. E tive medo da vida.
Conheci pessoas maravilhosas, que amei como irmãos.
Conheci mulheres maravilhosas, que amei ou não.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Participei.
De protestos, trupes de teatro, bandas de rock, festas, gangues de discussão de filosofia, programas de tv e filmes amadores.
Vivi 40 anos em 4
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
E eu ainda acredito. Você não?
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Dormi com as mais feias e as mais bonitas. E as pintei lindas.
Tive a mulher que achei que não teria e a perdi.
Chorei muito, mas fui mais feliz do que triste.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pânico. Mãos formigando, taquicardia. Achei que ia morrer.
Me arrastei por seis meses em direção a vida de adulto.
Cortei o cabelo, arrumei um emprego, entrei no túnel do metrô imergindo em depressão
A cidade de São Paulo era cinza e fedia como merda, como morte, como dor.
No Butantã mendigos alados e ratos dilacerados faziam coro com as putas tristes, os travecos
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Mas ganhei dinheiro, vendi minhas letras e ideias por um preço razoável
Viajei, então, e pude ver o mar. Foi lindo. Toda aquela imensidão azul. Penetrou em mim.
No começo foi difícil, mas aprendi que fidelidade acontece por vontade, não obrigação.
Acalmei meus demônios internos em sessões de terapia, aulas de Yoga e noites com minha
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Expulsei Édipo de Tebas aos bicudos no cu.
Doeu
Aceitei que podia ser feliz e ter um pouco de dinheiro
Mas nunca desisti.
Continuo sendo uma fábrica de sonhos e ilusões.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Assisti ao Pânico em SP tocado pelos ataques do PCC
Vivi os tempos da Gripe Suína, o medo de uma epidemia, a crise financeira de 2009.
Errei feio, pedi perdão, me senti culpado e chorei
E escrevi, e li, e gozei, e amei, e bebi, e fumei, e dancei, e abracei, e sonhei
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Sigo a sina
Estou há mais de dez anos tentando escrever poesia
Os cabelos estão ficando brancos, mas as palavras insistem em soar vazias.
Frico escreveu esse punhado de versos ai em cima. Ele andou lendo muito Walt Whitman, Ginsberg e Ferlighetti e por isso fez um poema tão grande. Leia mais trabalhos dele aqui. Ah, ele também tem um blog, o Punk Brega.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Nasci numa época de esperança, ano das Diretas Já, ano do caos de George Orwell
Ditadura militar desmoronava como o muro
que ruiu no ano em que um operário quase virou presidente da República
Não lembro muito do útero, só que gostava muito de lá. Sentia-me protegidoÀs vezes queria voltar pro útero, que parecia ser meu verdadeiro lar
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Migrei para o interior, onde rolei na relva verde e me acostumei com o luar estrelado do
sertão
Li meu primeiro livro com 6 anos e não parei nuncaMeu pai lia muito todos aqueles nomes esquisitos como Freud, Nietzsche, Marx e Henry Miller
Não sabia se Eça de Queirós era homem ou mulher. Que pessoa é Eça?
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Meu pai lutava judô e minha mãe pintava quadros psicodélicos
Ela era bonita e nos colocava para desenhar ao som de Pink Floyd
Eu achava Andoniran Baborsa engraçado e ainda acho, eu tinha um cachorro vira-latas e
nosso bairro era um pouco feio
Eu não podia brincar na rua como os vizinhos porque era perigoso. Ser atropelado. Um cigano.Um tarado.
Meus vizinhos pareciam com os pobres que eu via na televisãoSeus cabelos vão ficando brancos, Frico
O anarquismo vinha depois do comunismo, que vinha depois do socialismo, que vinha
depois da derrota do capitalismo.
Mas os russos entregaram os pontos de vez em 1991. Assisti as Olimpíadas de 1992 sem a URSSA copa de 1994 é nossa, o Brasil é tetra e eu sou muito perna de pau.
Sempre fui o último a ser escolhido na Educação Física.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Estudei em escola pública dos 5 até os 9 anos
Odiei a escola de freiras onde meus pais davam aula.
Eu era bolsista, ateu e não sabia jogar bola. Era estranho e diferente.
Meus pais eram estranhos e diferentes e ninguém no interior entendia a gente.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Eu passei recreios inteiros sozinho lendo Gulliver
Eu esperava a entrada para aula, sozinho, lendo Graciliano Ramos
Eu me divertia sozinho lendo gibis do X-Men.
E eu só tinha 10 anos.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Mutações em minha carne: estiquei, emagreci, desafinei. Pelos desabrocharam
Tudo antes dos outros.
Uma menina disse que meus olhos eram bonitos. Mas só os olhos.
O irmão da Sabrina Sato disse que eu tinha cara de rato.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Me apaixonei pela primeira vez com 13 anos. De verdade. Pela menina que todo mundo se
apaixonava.
Ela era loira e tinha uma bunda redonda, grande e bonita. A maior da sala.Eu gostava das bundas. Bastante.
Escrevi poesias pra ela.
Versos de amor não eram meu forte...
Escrevia porque a vida me angustiava e, se fosse feliz, não escrevia mais nada.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pilhas poeirentas de quadrinhos de super-heróis, RPG e... A INTERNET.
Tinha mulheres com bundas grandes lá e elas gostavam das minhas poesias.
Me apaixonei pelo rock 'n' roll em 1996. Perdidamente.
Criei um fanzine em 1997 com um amigo e meu irmão.
Em 1998, comecei a tocar violão.
****
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Minhas calças se rasgaram, os fios de cabelo se espetaram e um brinco se alojou em minha
orelha esquerda.
Eu era punk, como aqueles que eu via na tv. Eu era alguém e tinha um grupo.As pessoas tinham medo de mim, e eu gostava. Fiz outro furo na orelha e comprei um bracelete.
Toquei em palcos imundos dos subúrbios, em praças e em centros culturais.
Pulei, gritei e tive convulsões públicas para animar platéias de meia dúzia de pessoas.
Tive bandas, zines, programas na rádio e meu primeiro romance. Durou 3 meses.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Aos poucos entendendo as mulheres.
Adeus mãe gigante, grande, acolhedora, tribal, arquetípica, freudiana.
***
Crescer dói. Descobri que morava na periferia. Um amigo me disse.
"FrIco G mora num lugar perigoso".
Tinha pessoas pedalando de volta para casa às 18h, velhos conversando na calçada
Um vizinho era lixeiro, mas depois foi preso. Polícia passa. Boca de fumo do bairro. Mas nunca
prende ninguém.
Conheci garotos que já tinham vivido mais que homens.Um cara da classe mata alguém. Outro internado em uma rehab. Menino assalta venda
com uma arma.
Pobre demais pra ser branco e claro demais pra ser um negro.Queria um lar que não fosse mais um útero.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pais rígidos. Castigo.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Assisti a queda das Torres Gêmeas na escola e as pessoas comemoraram.
Minha tia americana ligou chorando pra minha mãe.
Me arrependi
Senti o grande império WASP ruindo. Como um rato que rói a roupa do rei de Roma.
***
E, pesando 59 kg, eis o primeiro lugar em uma faculdade pública de jornalismo.
Comecei a beber. Comecei a viver.
Aos 18 anos, vida ganhava cores e cheiros.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Voei até os EUA e freqüentei convenções anarquistas e shows de hardcore.
Tive medo de avião. Tive medo de morrer. E tive medo da vida.
Conheci pessoas maravilhosas, que amei como irmãos.
Conheci mulheres maravilhosas, que amei ou não.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Participei.
De protestos, trupes de teatro, bandas de rock, festas, gangues de discussão de filosofia, programas de tv e filmes amadores.
Vivi 40 anos em 4
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Acreditei no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, onde conversei com pessoas de todos os continentes que acreditavam
Que um outro mundo era possívelE eu ainda acredito. Você não?
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Dormi com as mais feias e as mais bonitas. E as pintei lindas.
Tive a mulher que achei que não teria e a perdi.
Chorei muito, mas fui mais feliz do que triste.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pânico. Mãos formigando, taquicardia. Achei que ia morrer.
Me arrastei por seis meses em direção a vida de adulto.
Cortei o cabelo, arrumei um emprego, entrei no túnel do metrô imergindo em depressão
A cidade de São Paulo era cinza e fedia como merda, como morte, como dor.
No Butantã mendigos alados e ratos dilacerados faziam coro com as putas tristes, os travecos
de peruca
Os vendedores ambulantes, os botecos imundos, os porteiros nordestinos, os malucos de rua,as crianças ranhentas.
Eu voltara à miséria, comendo um prato de cinco reais com tomate, cebola, arroz, feijão e um frango horrível.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Mas ganhei dinheiro, vendi minhas letras e ideias por um preço razoável
Viajei, então, e pude ver o mar. Foi lindo. Toda aquela imensidão azul. Penetrou em mim.
Lágrimas lubrificaram o âmago.
Achei uma mulher com asas que voou comigo e tive que abandonar as outras por justa causa.No começo foi difícil, mas aprendi que fidelidade acontece por vontade, não obrigação.
Acalmei meus demônios internos em sessões de terapia, aulas de Yoga e noites com minha
preta
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Expulsei Édipo de Tebas aos bicudos no cu.
Doeu
Aceitei que podia ser feliz e ter um pouco de dinheiro
Mas nunca desisti.
Continuo sendo uma fábrica de sonhos e ilusões.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Assisti ao Pânico em SP tocado pelos ataques do PCC
Vivi os tempos da Gripe Suína, o medo de uma epidemia, a crise financeira de 2009.
Errei feio, pedi perdão, me senti culpado e chorei
E escrevi, e li, e gozei, e amei, e bebi, e fumei, e dancei, e abracei, e sonhei
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Sigo a sina
Estou há mais de dez anos tentando escrever poesia
Os cabelos estão ficando brancos, mas as palavras insistem em soar vazias.
Frico escreveu esse punhado de versos ai em cima. Ele andou lendo muito Walt Whitman, Ginsberg e Ferlighetti e por isso fez um poema tão grande. Leia mais trabalhos dele aqui. Ah, ele também tem um blog, o Punk Brega.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
O que te inspira - Karol Felicio
-Leia mais poesia de autores novos aqui
Ilustração do caderno de Croquis Pagu - 1924
Ilustração do caderno de Croquis Pagu - 1924Eu não sei colocar preços nas coisas. Um João me ofereceu “um trabalho independente de poesias com desenhos em nanquim a uma quantia voluntária” eu quis, mas não comprei, eu não gostaria de por um preço no João.
Também não sei o quanto vale o meu sossego. Mas sei que vale muito. Eu pago caro por você. Você é o escambo que fiz pelo meu sossego.
[No que você pensa enquanto eu penso nele? Normalmente você faz silêncio...]
Eu não tenho tido tempo de pensar. Preciso silenciar, deixar o corpo calar, e parir palavras que derramem no papel.
Hoje eu vi tantas coisas belas, rosas de tantas cores, laranjas amarelas, como nunca as tinha visto. Fluorescentes. Florescendo.
Também tinha um velhinho corcunda, sentado sob o busto de um senhor esguio, na escada. Seria D. Pedro? Ele usava óculos engraçados.
O que te inspira?
Também não sei o quanto vale o meu sossego. Mas sei que vale muito. Eu pago caro por você. Você é o escambo que fiz pelo meu sossego.
[No que você pensa enquanto eu penso nele? Normalmente você faz silêncio...]
Eu não tenho tido tempo de pensar. Preciso silenciar, deixar o corpo calar, e parir palavras que derramem no papel.
Hoje eu vi tantas coisas belas, rosas de tantas cores, laranjas amarelas, como nunca as tinha visto. Fluorescentes. Florescendo.
Também tinha um velhinho corcunda, sentado sob o busto de um senhor esguio, na escada. Seria D. Pedro? Ele usava óculos engraçados.
O que te inspira?
Karol Felicio é mulher e sabe o que quer. Filha de Pagu, jornalirista made in Espírito Santo gosta que devorem suas poesias(indigestas ou não) aqui ou em seu blog. Com garfo e faca ou com as mãos.
=>Envie seus textos para clube.ideias@gmail.com
=>Mais poesias da Karol aqui
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Cheiroso - Cidadão das Nuvens
-Leia mais poesias do Cidadão das Nuvens
Para Delourdes de Jesus (vó)
O travesseiro que herdei da infância
- e até hoje descansa a minha cachimônia -
nada tem do tempo
em que éramos bebês.
Cheiroso nasceu em São Paulo, 1983.
De seu primeiro manto (fronha)
nenhuma especulação,
lenda ou fotografia ;
o retalho e a linha
substituídos no primeiro transplante,
aos onze anos de idade ;
engorda-lhe-ia algodão,
ao invés de espumas,
não fossem afiadíssimos
os dentes que, fatidicamente,
esvaziaram-no
na virada do milênio.
Moldado, pouco a pouco,
em cirurgias necessárias,
notei-lhe o novo apenas
ao achar, dia desses,
um olhar
de parente distante
na bagunça do chão.
Querido e criminoso tempo,
seu capanga - disfarçado, quase sempre
de rotina - levou a fronha
do Cheiroso, o retalho
do Cheiroso, a linha
e o algodão do Cheiroso.
Ele que não ouse,
jamais, levar
- fruto do sopro
de minha avó costureira -
a alma do Cheiroso :
tudo que lhe resta
do dia do presente.
Renato Silva é um estudante de letras, está formando um grupo de poetas em sampa, ama o São Paulo e torresmo com cerveja. Não acredita no homem em si, mas crê na humanidade. Adora que o chamem pelo nome, mais ainda quando pelo "codinome": Cidadão das nuvens. Você pode ver mais poesias dele no seu blog
=>Faça como como o Renato e mande suas poesias para clube.ideias@gmail.com
Para Delourdes de Jesus (vó)
O travesseiro que herdei da infância
- e até hoje descansa a minha cachimônia -
nada tem do tempo
em que éramos bebês.
Cheiroso nasceu em São Paulo, 1983.
De seu primeiro manto (fronha)
nenhuma especulação,
lenda ou fotografia ;
o retalho e a linha
substituídos no primeiro transplante,
aos onze anos de idade ;
engorda-lhe-ia algodão,
ao invés de espumas,
não fossem afiadíssimos
os dentes que, fatidicamente,
esvaziaram-no
na virada do milênio.
Moldado, pouco a pouco,
em cirurgias necessárias,
notei-lhe o novo apenas
ao achar, dia desses,
um olhar
de parente distante
na bagunça do chão.
Querido e criminoso tempo,
seu capanga - disfarçado, quase sempre
de rotina - levou a fronha
do Cheiroso, o retalho
do Cheiroso, a linha
e o algodão do Cheiroso.
Ele que não ouse,
jamais, levar
- fruto do sopro
de minha avó costureira -
a alma do Cheiroso :
tudo que lhe resta
do dia do presente.
Renato Silva é um estudante de letras, está formando um grupo de poetas em sampa, ama o São Paulo e torresmo com cerveja. Não acredita no homem em si, mas crê na humanidade. Adora que o chamem pelo nome, mais ainda quando pelo "codinome": Cidadão das nuvens. Você pode ver mais poesias dele no seu blog
=>Faça como como o Renato e mande suas poesias para clube.ideias@gmail.com
domingo, 14 de junho de 2009
Cowboy lírico e o sorvete de creme - Frico
Neste domingo está rolando a parada gay na Avenida Paulista. Segue uma pequena homenagem beat do Clube à diversidade e liberdade de sexualidade.
Frico deixa de lado a carcaça branca machista quando sonha que "Espero que um dia meu filho não precise fingir". Além do jornalismo que lhe paga o salário, ele escreve poesias e resenhas em seu blog Punk Brega
=>Mande seus textos, poesias e manifestos libertários para clube.ideias@gmail.com
O cowboy lírico entra no velho boteco
Toca Bob Dylan no iPod do traveco
"Quero conhaque nacional, meu chapa"
O fora da lei escarra seu pedido na lata
"As coisas estão mudando", diz o garçom
Ele é gay e tem um terninho marrom
"Assistiu "Milk" no espaço Unibanco"
É preto mas transa um playboy branco
Ontem eu saí de mãos dadas com meu homem na Paulista
Ninguém me xingou de bicha, isso foi uma conquista
Espero que um dia meu filho não precise fingir
Que pensa em mulher antes de dormir
"Os dias estão bem mais quentes, né?"
O taxista está suando em bicas debaixo do boné.
"É sim, meu truta, o tempo está louco"
"Temos que fazer alguma coisa, gritar até ficar rouco"
Não sei, será tão ruim um pequeno apocalipse?
Os bons se salvarão num eterno eclipse
Os homens morrem mas o universo segue imenso
Os dinossauros foram pro saco e ninguém ficou tenso.
"Me dá um dinheiro senhor, eu também tenho fome"
Eu tenho dinheiro, mas não dei, hoje ele não come
ver muitas vezes a Mona Lisa faz dela uma puta
Ver muitas vezes a miséria tira a fé na nossa luta.
O Cowboy lírico dispara certeira sua poesia
Cria universos vermelhos de uma gostosa anarquia
Liberdade não é bagunça, diz a pichação na minha cidade
Rita Cadillac rebola celulite e idade
"Gosto de mulher assim, saca? De verdade"
"O que é a verdade, meu querido? Homem é diversidade"
"Você gosta de homem, eu gosto de poesia."
"Sua verdade heterossexual me mata de asia. "
Conhaque agradável, fica saboroso com cerveja.
Essa música do Radiohead faz sentido com tristeza.
Não existe uma verdade, mas existe a felicidade?
Filósofo de boteco, vá beber na faculdade.
Vou ensinar os alunos a serem felizes, ensiná-los o gosto
Da chuva? Do corpo banhado em vinho? Das covinhas do seu rosto?
Não, tenho a felicidade sintetizada num wireframe
Se resume a um pote grande com calda e sorvete de creme
Toca Bob Dylan no iPod do traveco
"Quero conhaque nacional, meu chapa"
O fora da lei escarra seu pedido na lata
"As coisas estão mudando", diz o garçom
Ele é gay e tem um terninho marrom
"Assistiu "Milk" no espaço Unibanco"
É preto mas transa um playboy branco
Ontem eu saí de mãos dadas com meu homem na Paulista
Ninguém me xingou de bicha, isso foi uma conquista
Espero que um dia meu filho não precise fingir
Que pensa em mulher antes de dormir
"Os dias estão bem mais quentes, né?"
O taxista está suando em bicas debaixo do boné.
"É sim, meu truta, o tempo está louco"
"Temos que fazer alguma coisa, gritar até ficar rouco"
Não sei, será tão ruim um pequeno apocalipse?
Os bons se salvarão num eterno eclipse
Os homens morrem mas o universo segue imenso
Os dinossauros foram pro saco e ninguém ficou tenso.
"Me dá um dinheiro senhor, eu também tenho fome"
Eu tenho dinheiro, mas não dei, hoje ele não come
ver muitas vezes a Mona Lisa faz dela uma puta
Ver muitas vezes a miséria tira a fé na nossa luta.
O Cowboy lírico dispara certeira sua poesia
Cria universos vermelhos de uma gostosa anarquia
Liberdade não é bagunça, diz a pichação na minha cidade
Rita Cadillac rebola celulite e idade
"Gosto de mulher assim, saca? De verdade"
"O que é a verdade, meu querido? Homem é diversidade"
"Você gosta de homem, eu gosto de poesia."
"Sua verdade heterossexual me mata de asia. "
Conhaque agradável, fica saboroso com cerveja.
Essa música do Radiohead faz sentido com tristeza.
Não existe uma verdade, mas existe a felicidade?
Filósofo de boteco, vá beber na faculdade.
Vou ensinar os alunos a serem felizes, ensiná-los o gosto
Da chuva? Do corpo banhado em vinho? Das covinhas do seu rosto?
Não, tenho a felicidade sintetizada num wireframe
Se resume a um pote grande com calda e sorvete de creme
Frico deixa de lado a carcaça branca machista quando sonha que "Espero que um dia meu filho não precise fingir". Além do jornalismo que lhe paga o salário, ele escreve poesias e resenhas em seu blog Punk Brega
=>Mande seus textos, poesias e manifestos libertários para clube.ideias@gmail.com
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Página Cem - Ana Alice Gallo
Cansei de sangrar na página cem.
Sem perspectiva de cruz ou amém.
Sem trombeta que expie pecados
Ou lance pedras sobre fatos mal fadados.
Cansei de sangrar no porém
Sem saber onde a vírgula termina
Até onde o ponto final extermina
O aposto do qual me mantenho refém.
Ana Alice Gallo nasceu em Ribeirão Preto, vive em São Paulo e, além de escrever poeminhas bacanas, a menina é baterista e jornalista. Ela toca nas bandas Milhouse e Liga das Senhoras Católicas. Você pode ler mais textos dela no brog Credencial Tosca.
Sem perspectiva de cruz ou amém.
Sem trombeta que expie pecados
Ou lance pedras sobre fatos mal fadados.
Cansei de sangrar no porém
Sem saber onde a vírgula termina
Até onde o ponto final extermina
O aposto do qual me mantenho refém.
Ana Alice Gallo nasceu em Ribeirão Preto, vive em São Paulo e, além de escrever poeminhas bacanas, a menina é baterista e jornalista. Ela toca nas bandas Milhouse e Liga das Senhoras Católicas. Você pode ler mais textos dela no brog Credencial Tosca.
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